terça-feira, 2 de junho de 2026

BPC Pode ser Descontado para Pensão Alimentícia?

Uma das dúvidas mais frequentes no Direito de Família envolve os limites da cobrança de quem está inadimplente. Afinal, a pensão alimentícia pode ser descontada do BPC (Benefício de Prestação Continuada)?

A resposta direta é: não, em regra, o BPC não pode ser descontado ou penhorado para o pagamento de pensão alimentícia.
Se você recebe o benefício e está sofrendo ameaças de desconto, ou se você é o credor da pensão e quer entender como receber o valor, continue lendo este artigo para entender o posicionamento da Justiça.

O que é o BPC e por que ele é Protegido pela Justiça?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), é um benefício pago pelo INSS no valor de um salário mínimo. Ele é destinado exclusivamente a:
  • Idosos com 65 anos ou mais;
  • Pessoas com deficiência de qualquer idade.
Para receber o BPC, a pessoa deve comprovar que não possui meios de prover a própria subsistência e que sua família também não pode ajudá-la.
Por ter essa natureza assistencial e de sobrevivência mínima, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o entendimento de que o BPC é impenhorável. Retirar qualquer valor desse benefício significaria deixar o idoso ou a pessoa com deficiência em situação de extrema miséria.

O Devedor Recebe BPC: Como Fica o Direito do Filho à Pensão?

Se o desconto em folha do BPC não é permitido, como a criança ou o adolescente vai receber a pensão alimentícia? A Justiça brasileira oferece caminhos alternativos para que o menor não fique desamparado:

1. Cobrança de Outros Bens

A impenhorabilidade do BPC não significa perdão da dívida. O advogado do menor pode requerer a busca e a penhora de outros patrimônios do devedor, como:
  • Veículos no nome do devedor;
  • Saldos em contas poupança ou corrente (que não venham do BPC);
  • Bens materiais passíveis de leilão.

2. Pensão Avoenga (Responsabilidade dos Avós)

Quando restar provado que o pai ou a mãe recebe apenas o BPC e realmente não tem nenhuma condição de pagar os alimentos sem passar fome, o juiz pode redirecionar a obrigação.
Chamada de pensão avoenga, essa medida permite cobrar o pagamento, de forma complementar ou integral, diretamente dos avós da criança (paternos ou maternos), desde que eles tenham capacidade financeira para isso.

Conclusão: Busque a Orientação Jurídica Correta

O conflito entre a sobrevivência do devedor (beneficiário do BPC) e a subsistência do menor (credor da pensão) exige uma análise técnica minuciosa de cada caso para evitar abusos ou injustiças de ambos os lados.

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Alimentos Gravídicos Precisam de DNA? Descubra os Direitos da Gestante e o que Fazer se o Resultado for Negativo.

 

Uma das maiores dúvidas jurídicas durante a gestação envolve o sustento do bebê que ainda vai nascer. Afinal, a cobrança de alimentos gravídicos está condicionada ao exame de DNA?
A resposta curta e direta é: não. A gestante não precisa esperar o nascimento da criança ou realizar um exame genético para ter direito à ajuda financeira do futuro pai.
Se você quer entender como funciona a cobrança da pensão na gravidez ou se você recebeu uma intimação e quer saber quais providências tomar caso a paternidade não se confirme, continue lendo este artigo.

Como Funciona a Pensão na Gravidez sem Exame de DNA?
De acordo com a Lei nº 11.804/2008, os alimentos gravídicos exigem apenas a comprovação de indícios mínimos de paternidade.
O motivo de a lei não exigir o DNA imediatamente é simples: o exame de DNA fetal (realizado durante a gestação) é um procedimento invasivo. Ele pode colocar em risco a vida do feto e a saúde da gestante.
Por isso, para que o juiz determine o pagamento provisório, a mulher precisa apresentar provas do relacionamento, tais como:
  • Mensagens de texto, áudios ou conversas em redes sociais;
  • Fotos e vídeos do casal;
  • Testemunhas que confirmem que os dois mantinham um relacionamento na época da concepção.
Uma vez aceitos os indícios, o juiz fixa um valor para cobrir despesas com exames, assistência médica, parto, medicamentos e alimentação da gestante.

O DNA Deu Negativo: Quais Providências o Suposto Pai Deve Tomar?
Com o nascimento da criança, os alimentos gravídicos são convertidos automaticamente em pensão alimentícia. É a partir deste momento que o exame de DNA pode ser realizado com total segurança para o bebê.
Mas o que fazer se o resultado do exame de DNA der negativo e a paternidade for descartada?
O suposto pai deve agir rapidamente e tomar as seguintes providências jurídicas:
1. Ingressar com Ação Negatória de Paternidade
O homem não pode simplesmente parar de pagar a pensão por conta própria, sob risco de ser preso. É obrigatório ingressar com uma Ação Negatória de Paternidade cumulada com Exoneração de Alimentos. O juiz emitirá uma ordem oficial interrompendo a obrigação.
2. Pedido de Indenização por Danos Morais e Materiais
Como os alimentos são irrepetíveis (ou seja, a Justiça não obriga a devolução do dinheiro usado para a subsistência), o homem não receberá a "restituição da pensão". No entanto, se restar comprovado que a mãe agiu de má-fé ou dolo (sabendo que ele não era o pai e mentindo intencionalmente), ele pode processá-la civilmente. O juiz poderá condenar a mulher a pagar uma indenização para reparar os prejuízos financeiros e o abalo emocional causados.

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O Direito de Família busca proteger a vida do nascituro, mas também pune fraudes e enganos intencionais. Seja para garantir o sustento do seu filho durante a gravidez ou para contestar uma paternidade inexistente, o tempo é um fator crítico.
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Pensão Atrasada: Como a Quebra de Sigilo Bancário (Inclusive da Empresa) Pode Revelar a Verdadeira Renda do Devedor

 

É muito comum que, em uma Ação de Alimentos, o devedor tente esconder sua verdadeira capacidade financeira. O famoso "diz que não tem dinheiro, mas ostenta nas redes sociais" é uma realidade frequente nos tribunais.
Mas você sabia que a Justiça tem ferramentas rígidas para descobrir a verdade? A quebra do sigilo bancário é uma das armas mais eficazes para garantir o direito dos seus filhos.
Se você suspeita que o pai (ou mãe) do seu filho está ocultando bens, este artigo vai te explicar como funciona o processo e o que acontece quando existe a chamada confusão patrimonial.

O que é a Quebra de Sigilo Bancário na Ação de Alimentos?
A quebra de sigilo bancário é uma medida judicial excepcional. No entanto, ela é amplamente aceita no Direito de Família quando há indícios de que o devedor está omitindo rendimentos para pagar uma pensão menor.
Através de sistemas modernos como o SisbaJud, o juiz consegue ter acesso direto a:
  • Extratos de contas correntes e poupança;
  • Faturas de cartões de crédito;
  • Investimentos, ações e aplicações financeiras;
  • Movimentações via Pix.

O "Pulo do Gato": Quebra de Sigilo em Contas Jurídicas (Empresas)
Muitos profissionais autônomos, empresários e profissionais liberais utilizam uma tática para burlar a Justiça: eles mantêm a conta da pessoa física zerada e movimentam todo o dinheiro pela conta da pessoa jurídica (empresa).
Eles pagam contas pessoais, viagens, restaurantes e carros luxuosos direto pelo CNPJ, alegando no processo que a empresa "não dá lucro".
O que acontece se restar comprovado indício de confusão patrimonial?
Quando o dinheiro da pessoa física e da pessoa jurídica se misturam para fins fraudulentos, ocorre a confusão patrimonial.
Diante desses indícios, é possivel requerer a Desconsideração da Personalidade Jurídica. Se o juiz aceitar, a proteção da empresa cai e o magistrado autoriza:
  1. A quebra do sigilo bancário das contas jurídicas da empresa do devedor;
  2. A análise de faturamento real do CNPJ;
  3. A penhora de valores direto da conta da empresa para pagar a pensão alimentícia em atraso.

Quais provas servem como indício para o juiz autorizar a quebra?
O juiz não quebra o sigilo bancário por mera desconfiança. É preciso apresentar indícios mínimos de sinais de riqueza. Você pode usar como prova:
  • Prints de redes sociais: Viagens, festas, carros novos e compras de alto padrão;
  • Padrão de vida anterior: Comprovação de como a família vivia antes da separação;
  • Estilo de moradia: Endereço atual do devedor em bairros nobres ou condomínios fechados;
  • Uso de bens da empresa: Mostrar que o devedor usa o carro ou imóvel do CNPJ para fins estritamente pessoais.

Conclusão: Não aceite a falsa alegação de falta de dinheiro
O direito à habitação, alimentação e educação da criança é prioridade absoluta na legislação brasileira. A ocultação de patrimônio por meio de empresas é uma fraude que a Justiça combate com rigor.
Se você está enfrentando dificuldades para receber o valor justo de pensão alimentícia e desconfia que o devedor está escondendo bens, busque o auxílio de um profissional especializado.
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